A VIDA COM SENTIDO
José Carlos Paraguaio
1 INTRODUÇÃO
A vida só faz sentido se entendermos o significado de nossa passagem neste mundo controverso, dos prós e contras, alegrias e tristezas, certas e erradas, tentar entender de onde viemos o que somos e para onde vamos, o porquê das situações comportamentais e diferenciadas do ser humano, se somos origem de uma raça única, ah que importância de tudo isso para o fim último do ser humano; a Felicidade.
2 CICLO DA VIDA
Uma nova vida se inicia com a junção de corpos diferentes e desconhecidos, quando se dá esse encontro e as afinidades, as dita químicas se misturam numa forma de prazer, paixão, sensações inexplicáveis, surgem daí de duas vidas, o princípio de uma nova vida. Vida essa que vai se constituindo e desenvolvendo das mais diversas maneiras, seu momentos; nascimento, crescimento, criança, adolescência, adulto, grupo social, cultural, convivência externas, sonhos, objetivos, trabalho, profissões, relações com o mundo.
Por onde passamos tudo tem um significado, que às vezes não sabemos o que, mas sabemos da importância de estar ali, assim de uma origem qualquer ganhamos de graça uma vida, e sem saber do que se trata ou por que, mas estamos ali, e entender isso é a questão, afinal:
O que é a vida? Talvez uma das melhores respostas e mais fáceis de entender que encontrei: Vida significa existência. Do latim “vita”, que se refere à vida. É o estado de atividade incessante comum aos seres organizados. É o período que decorre entre o nascimento e a morte. Por extensão vida é o tempo de existência ou funcionamento de alguma coisa. (https://www.significados.com.br/vida/)
A partir do encontro do encontro de um casal e dessa união constitui-se uma nova vida, e momento inevitável e esperado, o nascimento.
O que é o nascimento? Nascimento é o momento em que um ser vivo inicia a sua vida.
Partindo do princípio que o tempo vai passando e o desenvolvimento se faz, todos os seres vivos evoluem de maneira natural e de acordo com suas necessidades básicas crescem. Afinal;
O que é o crescimento? Todos os seres vivos aumentam de tamanho desde o seu nascimento até atingirem as dimensões máximas características de cada espécie, que dependem igualmente das condições ambientais. É a esse processo de aumento natural de tamanho que se chama crescimento individual.
Nesse momento, já temos um ser em movimento denominado de criança, que quando da sua chegada, alegra os ambientes por aonde vai passando, é uma referência do ciclo da vida. Mas, o que é ser criança?
A criança é um ser em crescimento, desenvolvimento, em formação, num constante processo de aprendizagem, é um processo que está em todos nós, aprendendo continuamente, observando tudo que está a sua volta umas com mais facilidades outras nem tanto, mas isso não importa, esse comportamento é que realmente o caracteriza como criança, sem a responsabilidade do amanhã, chora se tem fome, se tem sono dorme ali mesmo, sem se preocupar se há perigo ou não à sua volta, vive sempre como se fosse o último dia, sem saber que a vida está só começando. Daí pra frente novos desafios.
Adolescência: Essa nova fase é de característica de múltiplas faces, conflitante para os jovens dessa idade de transição, porque em determinados momentos entende que é adulto, mas não pode agir como tal, mas também participar de atividades infantis o incomoda demais, mas como é inevitável, chega o momento de transição e também chegam as responsabilidades.
Grupo Social: O homem é por natureza um ser social e sociável, com sua capacidade de observação entra em contato com tudo que está à sua volta, e nesse sentido desenvolve um relacionamento transformando essa relação em vínculo social estabelecendo uma reciprocidade entre si e os outros. Esses relacionamentos tornam grupos sociais interagindo uns com os outros nas atividades de interesse e de colaboração.
Segundo Bergson, In Mendonça:
O homem age de acordo com o que é, mas, também, por outro lado, ele é na medida do que se faz. E, de fato, cada ação do homem constrói nele também alguma coisa. E assim que, através do que fazemos, e de nosso modo de agir, construímos também aquilo que nos fazemos ser. O home é, permanentemente, uma composição de sua natureza manifestada espontaneamente, e de seus ideais elaboradamente assentados. Somos, assim, em parte a expressão do que em nós está impresso pela natureza de nosso ser, e de nossa constituição, mas de outra parte somos igualmente o fruto daquilo que idealizamos ser. (MENDONÇA, 105)
Em essência somos aquilo que a natureza criou e desenvolveu cada um em seu tempo e época diferentes. Essa evolução necessária e exigida pela sociedade, nos impõe o relacionamento com outras culturas, que vão se entrelaçando através dos contatos dos diversos meios, vão se encontrando e se envolvendo tornando irreversível qualquer manifestação ou vontade de se desfazer.
Cultura: Cultura significa todo aquele complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano não somente em família, como também por fazer parte de uma sociedade da qual é membro.
Entre nossas origens, e o mento em que vivemos há situações e questões imensuráveis, que levamos para a vida toda como é a questão cultural. Algo que tem um valor sentimental para umas pessoas, (principalmente mais velhas) para outras mais jovens não tem significado algum, porém, ainda não possui uma consciência histórica para entender a representatividade de uma experiência vivida ou de um objeto preservado. Aquilo que foi construído por determinada sociedade, muitas vezes tem um significado histórico que com o tempo vai se trocando as pessoas, porém os objetos permanecem quase intocáveis. Conforme vamos apreendendo esse conceitos, também aprendemos a conviver fora da nossa zona de conforto do grupo social a qual pertenço, aprendemos os limites do meu conhecimento e despertando o interesse de querer aprender mais. Entre tantas nuances e valores culturais creio que os mais relevantes são os valores religiosos, esse que, mesmo no mundo do desconhecido se faz presente na crença e nos costumes da humanidade que são transmitidos de geração a geração.
Convivência externa: O mundo é grande aos olhos humanos, porém, a cada momento e com a possiblidade da aquisição de novos conhecimentos, ele (mundo) se torna pequeno diante dos meios de comunicações e informações tecnológicas que temos ao alcance das mãos. O que não se pode é perder, por um minuto se quer é o sentido de convivência humana. Por mais que entendemos que somos independentes, mais temos a convicção de nada podemos fazer sozinhos. A vida é compreendida numa interdependência de 24 horas por dia, porque sempre terá alguém fazendo alguma coisa por alguém, e isso é fundamental para sobrevivência da espécie humana, e para que isso sobreviva em harmonia, existem dois pilares fundamentais: Moral e Ética.
Moral – sem a preocupação de provocar uma discussão e sim um entendimento para aceitação de convivência definimos assim: “é o conjunto de normas aceitas livres e conscientemente que regulam o comportamento individual e social dos homens”. (Adolfo S. Vasquez)
Porque assim, com a moral aprendemos no meio social onde convivemos, o que é certo ou errado e delegamos às lideranças o direito de organização social. E,
Ética: “é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade”. (Adolfo Sanches Vasquez)
Nos faz respeitar aquilo que aprendemos, e principalmente sermos humildes frente ao próprio homem que é condição suprema da condição humana.
O que foi exposto tem o objetivo de situalizar a posição do ser humano no mundo, partindo da essência de ninguém sobrevive sozinho e cada um de nós, por mais simples que sejamos, temos algo a contribuir para o desenvolvimento da sociedade, ser pessoas de bem, não será um favor, será uma obrigação de todos nós, fazer o melhor possível e estar sempre disposto e aberto a novos conceitos e aprendizagens.
A trajetória da vida do ser humano se constrói num ritmo acelerado que nos confunde com o tempo e espaço, se programamos nossos objetivos sem um marco para as realizações, podemos nos frustrar devido a fatores inesperados que causam consequências que impedem muitas vezes realizações de sonhos até considerados simples, assim é a vida. Parece-me assim que a realização humana que está sempre em busca de caminhos que o leve a atingir objetivos, nesse contexto o homem um ser ativo na sociedade se complementa na interação do aprender e disseminação do conhecimento. Portanto, a transição para alcançar tais objetivos será a aproximação possível do conceito de PAIDÉIA.
Porque Paidéia, é que nossa civilização foi influenciada pela cultura ocidental, isso é muito presente em nós em todas as nossas ações, somos gente de índole do bem, mas para isso, o caminho que proporciona essa formação é o caminho da educação, como podemos observar na afirmação de Platão:
É então que o ideal educativo grego aparece como Paideia, formação geral que tem por tarefa construir o homem como homem e como cidadão. Platão define Paideia da seguinte forma ”(...) a essência de toda a verdadeira educação ou Paideia é a que dá ao homem o desejo e a ânsia de se tornar um cidadão perfeito e o ensina a mandar e a obedecer, tendo a justiça como fundamento (JAEGER, 1995, p. 147).
Mais à frente, no mesmo sentido, a educação no sentido da valorização humana porque é nela se funda a importância do conhecimento dar sentido à vida, assim depreende, Marrou:
A Paideia vem por isso a significar ”cultura entendida no sentido perfectivo que a palavra tem hoje entre nós: o estado de um espírito plenamente desenvolvido, tendo desabrochado todas as suas virtualidades, o do homem tornado verdadeiramente homem (MARROU, 1966, p. 158).
Como o ser humano, está e necessariamente em constante evolução, vai se atualizando todos os dias em todos os momentos e ações, tanto no individual quanto no coletivo, pois é aí que se dá e podemos afirmar o sentido da vida humana. O conceito de Paidéia fora dos meios acadêmicos não é fácil de assimilação teórica, porém, moralmente, milhares de pessoas no seu dia a dia aplicam-no com a maior naturalidade nas suas ações frente aos outros cidadãos, no entendimento de Emerson Santiago:
O conceito acabado da Paideia torna-se o ideal educativo da Grécia clássica. Com o tempo, passou designar o resultado do processo educativo que se prolonga por toda vida, muito para além da escola. Até os dias de hoje seus ideais são imitados em praticamente todo o mundo, como um perfeito entendimento de formação social do ser humano.
Essa convivência é gratificante porque sai dos bancos escolares e vai para a sociedade de maneira simples, que vai sendo aceita culturalmente na convivência por uma sociedade melhor.
2. VIVENDO
A sociedade, um povo, só pode alcançar um alto grau de desenvolvimento e competir com qualquer outra parte do mundo, que este povo integra em sua vivência a prática educacional, esse comportamento proporciona o desenvolvimento físico e espiritual a todos os membros da sociedade. E nessa perspectiva os seres vivos se perpetuaram através da procriação e necessidade de reprodução através da condição natural, mas só o homem tem um diferencial, que é a racionalidade.
Segundo Jaeger: “Só o Homem, porém, consegue conservar e propagar a sua forma de existência social e espiritual por meio das forças pelas quais a criou, quer dizer, por meio da vontade consciente da razão”. (JAEGER, p.03)
O processo de educação é tão natural e universalizado que poucos o percebe no seu dia a dia, pais educam os filhos, que por sua vez, formam um novo núcleo familiar que novamente educa os filhos – netos – tão naturalmente que parece que o faz por obrigação.
A vida nós recebemos, gratuitamente, mas só terá feito sentido se pudermos deixar um legado de transformações claras, objetivas, assimiladas pelos mais jovens para que possam envolver-se e desenvolver perante e para a sociedade. A vida em sociedade é um desafio permanente e as reformas educacionais são necessárias em todos os níveis também permanentes, porque a sociedade está em constante mudança. John Dewey, grande educador norte-americano deixou uma mensagem simples e revolucionária para todos aqueles que acreditam numa sociedade livre e democrática:
Uma sociedade democrática tem de conceder oportunidades educacionais iguais não somente ao fornecer a todas as crianças a mesma quantidade de educação pública – o mesmo número de anos de escola - mas também certificar-se de estar dando a todos, sem exceções, a mesma qualidade de educação. (ADLER, 3)
Os sonhos, os desejos, as ansiedades, os objetivos nos tornam às vezes hostis, e nos isolam na multidão entendendo que assim nos prepara intelectualmente para as lutas da vida e do espírito, e o caminho mais curto para avançar na contramão do destino o discípulo de Dewey, Anísio Teixeira assim esclarece:
A universidade socializa a cultura, socializando os meios de adquiri-la. A identidade de vida e a própria unidade local fará com que nos cultivemos a sociedade. Que ganhemos em comum a cultura. “Que nos sintamos solidários e unido pela identidade de objetivos, de preocupações, de interesses e de ideias, E, daí, que nos sintamos uma sociedade governada por um espírito comum e comuns ideais.” (TEIXEIRA, 99).
A democracia, a liberdade, é uma conquista que se faz todos os dias, todos os momentos, mas também são imprevisíveis, pois temos medo de perdê-las, estes ideais fazem partem da vida humana para termos na vida o pensamento livre como ar que respiramos.
É A VIDA
BIBLIOGRAFIA
http://webpages.fc.ul.pt/
MENDONÇA, Eduardo Prado de, 1924 - O mundo precisa de filosofia, 7ª ed. RJ: ed. Agir, 1984.
ADLER, Mor timer Jerome, 1902 A proposta Paidéia. Trad. De Marília Lohamann Couri. Brasília, Ed. UNB, 1984
TEIXEIRA, Anísio. A universidade de ontem e de hoje / Anísio Teixeira; organização e introdução, Clarice Nunes, RJ: EDUERJ, 1998.
Jaeger, Werner Wilheim 1888-1961.
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